Público recorde, jogo inédito e Haka: o dia de glória do rugby brasileiro

Por J.Lima em 11/11/2018 às 21:01:38

Marcello Fim/Ofotográfico Partida amistosa entre Brasil Rugby e All Blacks Maori (NZL), realizada no Estádio do Morumbi, zona sul da capital paulista – 10/11/2018

O placar marcava 14 a 0 para o adversário quando a seleção brasileira de rugbyteve um penal a favor. Josh Reeves, neozelandês de nascimento e camisa 10 do Brasil, era o responsável por tirar o zero do placar. O alto e forte chute de perna esquerda bateu caprichosamente na trave direita antes de cair no meio dos postes, para o delírio das 34.541 pessoas que assistiam ao jogo no estádio do Morumbi na chuvosa noite deste sábado.

Os pontos marcados por Reeves foram os únicos do Brasil Tupis, apelido da equipe, na derrota por 35 a 3 para o All Blacks Maori. O placar não é um vexame e era até esperado. A seleção da Nova Zelândia formada exclusivamente por jogadores da etnia maori, que dá nome ao time, não é a seleção principal do país – última campeã da Copa do Mundo e considerada a melhor equipe do planeta. Mesmo assim, a diferença entre as equipes representa um Brasil x Nova Zelândia do futebol. Ao contrário, obviamente.

O jogo faz parte do desenvolvimento do esporte no Brasil e boa parte da torcida compareceu para assistir ao Haka ao vivo. A dança típica foi criada pelo povo maori para intimidar seus inimigos antes de grandes batalhas e acabou popularizada pelos All Blacks. Antes de cada partida, os jogadores fazem os gestos, as caretas e os gritos característicos em direção aos adversários.

O Haka tinha sido o ápice da partida, apesar de acontecer antes do jogo começar. O chute de Josh Reeves conseguiu superar a dança maori em emoção pelo inesperado.

O Morumbi não esperava que o Brasil pudesse marcar cinco pontos com um try (quando o jogador encosta a bola atrás da linha de fundo do adversário) e vibrou como se fosse um gol de título quando a bola oval passou entre os postes do All Blacks. “Estava chovendo muito e achei que tinha errado o chute. A bola fez uma curva e entrou”, confessou o neozelandês Reeves após a partida.

O alto público presente na casa do time de futebol do São Paulo para assistir a um jogo de rugby representou o recorde da modalidade, superando as 10 480 pessoas no Pacaembu no amistoso entre Brasil e Alemanha em 2015. Mais: é quase o dobro da média de público do Campeonato Brasileiro de Futebol, que recebe 18 413 torcedores por jogo este ano.

Enfrentar o All Blacks Maori com quase 35 mil pessoas assistindo foi encerramento de um ano especial para o rugby brasileiro. Em 2018, o Brasil foi campeão sul-americano e venceu a Argentina pela primeira vez. O objetivo a longo prazo é classificar a equipe para a Copa do Mundo de 2023.

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